terça-feira, 8 de março de 2011

Olá pessoal.

Engraçado. Desde que começou o ano quantas vezes comecei um diálogo com a expressão "olá pessoal!" Algo do tipo, "ei, vc gostaria de ver o que estou fazendo?". Bons tempos estes em que posso estabelecer algum tipo de contato entre as pessoas e mostrar o que gosto de fazer: desenhar.
Porém, vejo que quadrinhistas de verdade não disponibilizam muito seus trabalhos na internet e quando o fazem não atualizam com frequencia seus espaços pessoais na internet. Imagino que seja pela demanda de trabalho ou muitas vezes por relaxo mesmo, algo do tipo: "Ah, deixa isso para quem está começando, não preciso ficar mostrando nada. As pessoas podem conferir meu material nas bancas ou em outros sites bem mais especializados." Bem, como não costumo publicar regularmente em bancas, não tenho vergonha de buscar diariamente, quando possível, algum trabalho neste blog e no Deviantart, além do Flickr, Orkut, Facebook...
Mas isso é uma necessidade minha. Meu amigo de longa data, Nato Magalhães, está a anos realizando testes de quadrinhos na Art&Comics em ciclos descontínuos e não tem lá muita preocupação em mostrar nada além é claro para o Joe e a outros profissionais em eventos de quadrinhos como Fest Comix. Como nos velhos tempos...

Em 1997, quando fiz meu primeiro curso de desenho, em Carapicuiba, na Raffaell Atellie Cartoons, e descobri que existiam outros iguais a mim, no último ano de Colegial, fase de quartel, sem emprego, sem namorada, sem muitos quadrinhos (além dos X-Men) costumava andar com uma pasta azul, destas de catálogo de vendas, com dezenas de desenhos que periodicamente passava algumas noites atualizando. Eram desenhos inspirados em quadrinhos de super-heróis e animes. Puxa! Como era empolgante poder mostrar aqueles trabalhos (toscos) ás pessoas. Havia muito de pessoal naquilo tudo e acho que não tinha amadurecimento suficiente para receber críticas. Bem, acho que não havia paciência, pois devido ao mundo que cresci, aquilo tudo parecia uma carta assinada de pobreza ao longo de uma vida inteira. Até então, somente meus professores de escola haviam apoiado minha vontade de desenhar quadrinhos. É, a escola. Com todas as críticas à escola, foram nos corredores desta instituição que ano após ano desenvolvi minha paixão pelos quadrinhos, ora tendo acesso a estes, ora conhecendo pessoas que também gostavam deles.

Ás vezes, quando vou a padaria ou estou em alguma fila para pagar alguma coisa fico pensando como teria sido minha vida se tivesse o "BLOGSPOT" aos 17 anos em minha vida. Uma coisa teria certeza, seria um cara muito chato! Pois vejam bem, tudo o que vocês podem ver aqui neste blog é feito numa rotina universitária com preocupações adultas, reais: falta de tempo, falta de grana, angústias existenciais... Mas acho que até se estivesse no Olimpo arranjaria alguma angústia para pensar...!

No ano de 2001, quando estava na antiga Fábrica de Quadrinhos (Quanta Academia de Artes) acreditava que se tivesse um pouco mais de tempo, na época contava apenas com as manhãs para desenhar, poderia ser um bom desenhista de histórias em quadrinhos de super-herói. Poxa, que cara chato! Porque não acrescenta que queria ser do X-Men, também. Já que na época existiam um cem números de revistas mutantes... O fato era que tanto eu como o Nato achava o Ivan Reis o cara! Bem, hoje não só a gente mas uma legião de fãs do tamanho dos recrutas da Tropa dos Lanternas Verdes... E nós queríamos desenhar bem, também. Na época o Ivan era nosso professor de histórias em quadrinhos.

Antes de começarem as aulas fiz cerca de 25 páginas de quadrinhos (dos X-Men). Queria começar o curso com muitas páginas para mostrar. Bem, acho que tudo aquilo era muito ruim pois não lembro do Ivan ter ficado mais de 1 segundo em cada página. E isso se repetiu inúmeras vezes ao longo do curso... Bem, o Ivan não tinha culpa. A culpa era achar que tinha talento, traço, ritmo para ser um quadrinhista... ainda mais dos X-Men.
No ano de 2001 meu traço ficou muito ruim. Incrivelmente a cada sábado que aprendia novas técnicas e desenhava novas páginas, meu trabalho ficava mais ruim... e lá pelos meses de Junho, Julho, Agosto já não sabia o que estava fazendo naquelas aulas de quadrinhos. Travei.

Quando as Torres Gêmeas foram ao chão estava retomando meus trabalhos atrasados (havia me ausentado do curso durante 1 mês) e buscando tirar o atraso de todo o ano. Na última aula, 16 de Dezembro de 2001, conversei com o Ivan sobre as chances reais de conseguir um trabalho numa editora americana. Entusiasmado, durante o ano de 2002 busquei me tornar um quadrinhista! Cara, na vida real, não tem trilha de fundo tocando e as folhas do calendário caindo no chão mostrando a passagem das estações... foi dureza. E voltando a questão: se tivesse blog neste tempo como teria sido? Foi preciso este momento, antes de ter páginas mais estruturadas para apresentar de forma profissional. É a busca que todos tem que passar.

Mudam-se as motivações, os lugares, o tempo histórico. Hoje temos a internet como ferramenta ou como inimiga dependendo quanto tempo você passa por dia no Deviantart. No entanto, a busca continua a mesma. Pessoas encantadas com os quadrinhos, com os mitos da pós-modernidade dedicando ou sacrificando suas vidas em busca de uma participação neste mundo de fantasias.

A certeza que tenho após tudo isso é que uma voz lá no fundo ainda continua a me perturbar.
A grande questão desta vez é se as coisas podem ser diferentes ou se tudo se resumirá ao eterno retorno nietzscheriano.

No próximo post, um novo desenho.

2 comentários:

Gilberto Queiroz disse...

Fala, David! Bacana esse seu texto. Várias luzes se acenderam em minha mente!
Abração,

J. DAVID LEE disse...

Poxa, fico feliz que este texto tenha tocado alguém. De fato, na busca pela realização de nossas vontades nos deparamos com um mundo real repleto de outros interesses e nunca a coisa se dá como a gente pensa, né Gilberto. Abração.